Lembram desse filme? Não? Tudo bem. Não sobre ele mesmo. Alguns de vocês devem ter acompanhado nos jornais a história da estudante de 20 anos que foi hostilizada por usar vestido curto na UNIBAN (Faculdade de São Bernardo do Campo, SP). Ela teve que sair da faculdade escoltada por policiais sob xingamentos de “puta, puta”. Ridículo.
Na minha faculdade, católica por sinal, muitas meninas usavam uns shortinhos mais curtos que esse vestido e ninguém favala nada! Não defendo a roupa da garota; jamais iria a faculdade assim, mas não concordo com a atitude dos delinquentes que a humilharam. Assisti ao vídeo e ela foi embora quietinha.
Eu iria embora mandando todo mundo tomar no cú, fazendo gestos obscenos com as mãos e ameaçando judicialmente quem me xingasse. Mas quietinha eu não ia ficar. Ou, se estivesse de TPM, ia chorar, dar um escândalo e porrada em todo mundo. Não aconteceria comigo, mas se rolasse, além de puta, me xingariam de maluca, mal educada e violenta.
A cobrança da sociedade para a gente entrar nos padrões deixa as pessoas completamente sem noção. Ela queria se sentir linda e gostosa. Foi o jeito dela. Coitada. Se ela fosse puta de verdade, garota de programa, DUVIDO que os moleques a xingassem. Aí eles a idolatrariam. Bando de hipócritas. Pra mim foi um Bullyng tardio; ela já devia ser perseguida.
Eu mesma já fui chamada de vulgar por algumas pessoas (tipo: tá tchutchuuuuca, heim) e não estou nem aí. Fui obesa durante anos e ralei para chegar nesse corpo que é digno de vestir as roupas que o calor e cultura de nosso país permitem, embora não seja nada demais. Além de tudo, estou chegando aos 30. Então, tenho mais é que aproveitar enquanto não pega tão mal usar certos modelitos. Não uso roupas tão curtas, mas estou longe de ser recatada.
As vestimentas podem mostrar muito sobre as pessoas, seus gostos e estilos de vida. Mas o caráter não tem aparência.
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