O forró era famoso por ter muita mulher (vide as letras das músicas), mas o jogo virou, e hoje em dia, sempre tenho a sorte de ser tirada para dançar por vários homens. Ninguém gosta de ficar enconstada no forró. Isso só é tranquilo se o show for muito bom, que daí você fica assistindo e nem liga. Tá. A verdade é que ontem eu saí de novo, e muito por culpa da minha calça nova e porque sair fim de semana é coisa de amador (teoria do meu ex-padrasto). Hoje vou ficar quieta e amanhã, sábado, tenho um aniversário perto de casa.
Antigamente era uma incógnita; você nunca sabia quem dançava bem. Hoje existem mil escolas de dança, academias e todo mundo dança direitinho. No Teatro Odisséia, particularmente, tem muito mais homem que mulher: é uma maravilha. E desde que a cerveja entrou na minha vida com uma certa frequência em doses superiores a duas latas, eu fico muito mais serelepe, menos metida e não fico querendo ir embora às 2 h. Então aceito dançar com os desconhecidos e minhas noitadas tem sido bem mais divertidas.
Eu danço ‘profissionalmente’ (com esforço, capricho e sem maldade). Claro que o fato de estar abraçada com um homem pode fazer rolar alguma coisa, tem o lance do cheiro, o corpo a corpo etc. Mas, de maneira geral, eu danço por dançar e compenetrada nos passos. Por isso que eu fecho os olhos. E também para não ficar tonta. Porque no forró eu sou super rodada; me rodam pra lá pra cá... sabem esses passinhos (dã). E quando a gente está lá de olhinhos cerrados, de fora pode parecer que está rolando o maior clima e na verdade o que acontece é uma puta concentração.
Ontem foi ótimo, dancei horrores e encontrei pessoas queridas. Lembrei de quando pulamos a cerca do forró da Ilha no Sana há mil anos no Reveillon, do começo da banda no Malagueta... Mas o Raiz do Sana vacilou um pouco porque cortava as músicas pela metade. Aí você começava a dançar e a música acabava rapidéssimo. De resto, tudo beleza.
Dançar forró é uma delícia que só os forrozeiros sabem. Sempre que eu ficava mal quando um namoro ia terminar pensava que pelo menos eu ia poder dançar forró à vontade quando terminasse. É uma sensação inigualável. Não tem nada que substitua. E apesar de mega-forrozeira há mais de 10 anos, eu nunca namorei um forrozeiro, todos os meu ex não sabiam dançar e não aceitavam que eu dançasse com homens (entendo perfeitamente). Acho eu só aguentaria namorar um forrozeiro se ele topasse monopolio no forró. Emprestaria só para as amigas.
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